O corpo contra a moral: da invenção da sexualidade à crítica filosófica do desejo
O corpo contra a moral: da invenção da sexualidade à crítica filosófica do desejo Poucos temas foram tão sistematicamente capturados pela metafísica ocidental quanto a sexualidade. Desde Platão, passando pela tradição cristã e chegando às moralidades modernas, o sexo foi reiteradamente deslocado do domínio da experiência para o da norma. A questão nunca foi simplesmente como os seres humanos desejam, mas como deveriam desejar. A filosofia, por séculos, participou da produção dessa normatividade. Entretanto, algumas tradições intelectuais, frequentemente distantes entre si, operaram precisamente no sentido inverso: recusaram a domesticação do corpo e trataram o desejo como um problema filosófico antes de ser um problema moral. Michel Foucault talvez tenha formulado a crítica mais sofisticada a essa tradição ao afirmar que: "A sexualidade é o nome que se pode dar a um dispositivo histórico: não uma realidade subterrânea que se apreende com dificuldade, mas uma grande rede da superfí...